Entrevista para revista Panorama Editorial

A indústria da música se transformou em uma espécie de “laboratório”, devido às transformações que já afetam os diferentes setores das indústrias culturais. O artigo tem o objetivo de falar sobre as transformações nessa indústria e se possível relacionar com o que pode acontecer com o livro, na sua opinião.

As editoras não querem ser pegas de surpresa, como a indústria da música, que foi engolfada pela pirataria e a distribuição gratuita de música pela web. 

1- Como você vê o processo de transição da industria do disco para o mundo digital? As mudanças na estrutura a cadeia produtiva, a resistência dos consumidores em pagar pelos fonogramas, a redução do cast de artistas e a crise da noção do álbum, que cai deixando de ser a questao central na produção e consumo?

Talvez eu não seja a pessoa mais apropriada para falar do mercado musical porque não o conheço de perto apenas acompanho de longe. As linhas que seguem são tentativas de esboçar algo para pensar a situação da música no mercado e não o mercado da música.

Entendemos bem o problema que se tornou a cultura digital para o mercado, mais especificamente, para a indústria fonográfica. A música como produto no contexto das tecnologias digitais sofreram grandes mudanças, porque o suporte digital também mudou a natureza de produção e consumo. Nunca se produziu tanto nem se consumiu e distribuiu tanta música como hoje. Isso é bom pra todos menos para o mercado fonográfico.

Vale lembrar aqui um que por princípio no plano digital toda cópia é original e que os dispositivos de reprodução digital fazem um cópia. Essa simples articulação técnica criou um grande estrago no mercado. Porque diferente do suporte analógico-elétrico ( vinil ou K7 ) onde a cópia sofre deterioração que implica na qualidade do produto a diferença entre cópia e original existia. Agora toda música escutada no seu computador é uma cópia fiel e legítima do que foi acessado.

Resistência em pagar por fonogramas ou mudança de paradigma do mercado?
Penso que isso o que se chama de resistência dos consumidores em relação ao pagamento da cópia digital precisa ser entendida com mais cuidado. Acredito que existe um certo instinto, um "comportamento" coletivo que surge com o uso da internet e com a cultura digital extremamente positivo. Com a rede surge um tipo de postura onde a maioria dos usuários não estão dispostos a pagar pela reprodução digital que praticamente não custa, ou custa muito pouco a partir da distribuição de dados pela internet. Imagine, qualquer arquivo musical disponibilizado na rede não tem mais o custo de distribuição, de impressão e o preço da cópia deveria ter caído demasiadamente o mas muito pouco mudou. Poucos aceitam pagar pelo que custa quase zero, e pelo trabalho de algo que já foi pago várias vezes. Essa sobretaxação ou a distribuição do custo não dá mais para ser pago.

Acho essa postura extremamente significativa que, por sinal, é um jeito de inverter a sensação dos lucros absurdos concentrados nas gravadoras que ainda ganham milhões com cópias que foram pagos infinitas vezes. Essa resistência tem sua positividadade, algo que vale a pena pensar melhor. Há uma lógica nela, que é a preservação de um bem comum, que vai contra o poder concentrado que as gravadoras representaram historicamente, principalmente pelas diversas histórias que povoam o imaginário coletivo e que sabemos que a envolvem essa indústria. Quem não conhece um caso de entre gravadoras e artistas? Qual artista que nunca se desentendeu com gravadora?
Isso me lembra o caso do músico Lobão que anos atrás, descontente com as gravadoras, buscava novos formatos de distribuição do seu trabalho. Na época lançou seu próprio selo com distribuição pelas bancas de revistas. Mais um artista descontente com a forma das gravadoras, não tinha controle qualquer sobre a produção, distribuição e quantidade de discos vendidos. As vezes o artista quer lançar um novo trabalho, mas escutava que não era o momento que valeira lançar coletânea. As gravadoras mantiveram uma relação de infantilização com o artista, sob a lógica de que músico sabe fazer música e não sabe produzi-la. Hoje cada vez mais o músico acumula várias tarefas ao mesmo tempo, fazendo a vez de compositor, interprete, produtor, vendedor e mantendo um contato direto com o seu público pelas redes sociais.

Lançá-lo pela rede, associar-se a selos virtuais, buscar estratégias em coletivos de festivais e divulgar o trabalho por diferentes lugares sem esperar pelo sonho de tocar nas rádios e negociar o jabá. Também tem uma outra consciência que surge na esteira da onda verde do consumo consciente que se . Então porque não discutir o preço consciente e valor justo? O mercado até tentou isso recentemente com o Radiohead e o U2 tentaram algo assim, mas não parece ter tido grandes efeitos.

Dizem que o formato de álbum morreu e ressurge o formato dos singles quase uma nostalgia do vinil. A relação do preço do disco foi reduzida para tentar estabelecer um novo comportamento de compra. A venda de música avulsa, o single ressurge como estratégia de mercado, a mesma no início da era do vinil. A indústria fotográfica é previsível. O iTunes que vende música a granel pela internet segue essa lógica. Dizem que o pensamento de álbum consequentemente cai nesse novo modelo. Na contramão disso rescentemente o Pink Floyd entrou com processo com a própria gravadora que estava vendendo músicas avulsas de seus álbuns conceituais e ganhou.

De alguma forma, a indústria fonográfica que foi um dos mercados mais rentáveis do mundo ficou com a imagem de vilã porque no início foi taxativamente contra o compartilhamento e comércio de música na rede. Indo na contra-mão da tendência, abrindo processos contra os fãns e os sites e as redes p2p. De alguma forma, as gravadoras quiseram se apropriar de um bem comum que é a música. Sua postura seguiu a tendência de culpabilizar o usuário, e por na geladeira o artisa. Restringindo o acesso do fã, podando o artista, limitando a circulação com selos de proteção digital como DRM e vendendo a imagem de que o usuário que baixa música na internet é criminoso, terrorista e que financia o tráfico. Foi um tiro no pé.

Antigamente o modelo proposto pelo mercado era o seguinte. Para eu escutar um disco que não estava no mercado tinha que contar que a gravadora iria relançar ou fazer mais cópias. Se isso não acontecia, então a única solução que restava era fazer uma cópia. Mas fazer cópia é crime e consequentemente eu viraria criminoso infringindo a lei. Mas aqui vale pergunta: quem era criminoso eu ou a gravadora? Até antes do compartilhamento na rede o ouvinte era totalmente refém dessa lógica de pirataria que o próprio modelo de mercado criou. Ai então surge o discurso antipirataria e esse discurso ainda é retomado hoje.

Quando esse discurso da pirataria se instaura tende a estabelecer uma dinâmica de caça as bruxas-terroristas que são contra o mercado vigente. Busca-se encontrar o culpado do mercado e tomou posse de um bem comum que fantasma do que representou a indústria fotográfica, como centralizadora da produção musical. É sintomático para as gravadoras relançarem apenas os sucessos, só investindo no que é previsivelmente certo.



Cultura digital e o bem imaterial
Creio que com a rede também surge uma outra forma de coletivizar e difundir a cultura, ao mesmo tempo que uma re-significação do que é o bem comum. Todos temos essa experiência de encontrar informações e conteúdos na internet gratuitamente que nos ajudam no dia a dia. Visitar sítios de noticias, assistir vídeos, descobrir soluções, pesquisar, se informar, compartilhar. Por sinal, a conjugação dos verbos como compartilhar, disponibilizar, acessar, "linkar" etc… essa gramática da rede é significativa como exercício do coletivo. Nesse sentido, Kelvin Kelly1 aponta para um socialismo digital que é diferente do socialismo dos nossos avós. Um socialismo sem guerra de classes, que não é contra os EUA talvez o socialismo digital possa ser uma inovação americana. Enquanto o socialismo da velha escola era um braço do Estado, o socialismo digital que aponta Kelvin Kelly não tem estado. Este novo tipo de socialismo atualmente opera no domínio da cultura e da economia, e não dos governos. Nesse sentido, não pagar por música também é um ato político que também é um tipo de pedagogia do mercado que emerge junto da cultura da rede e tem repensado o sentido do exercício da coletividade e do bem comum.

Longe de querer idealizar a internet pois o oposto também acontece, a iminência de um controle absoluto é real. A Google e as redes sociais por exemplo se colocam nesse lugar de disponibilizar serviços gratuitos com a prerrogativa de que todo clique e fluxo dos googlenautas é monitorado como informação que alimenta sua base de dados e posteriormente volta, sabe-se lá como, na forma lucro para Google pela venda de informações que nós oferecemos.

Global gettotech
Na contra mão disso tudo, longe do circuito oficial das industrias fonográficas um movimento que tem sido celebrado como respiro para a inventividade musical é o que se tem chamado de global gettotech aponta um pouco de inventividade nesse universo. Tendo como paradigma os movimentos musicais que surgem nas "periferias", assim como o tecnobrega no Pará e o funk carioca no Rio de Janeiro, ou ainda a champeta na Colombia, a cumbia digital na Argentina, o kuduro em Angola e muitos outros espalhados pelo mundo. É interessante constatar que esses movimentos surgem exatamente no lugar onde a indústria fotográfica definiu como foco da pirataria, os camelôs e mercado informal. O que a indústria fonográfica rotulou de pirataria é entendido por outros pesquisadores no mundo como economia criativa, mercado informal, economia colaborativa entre outros. O fato de existir um outro modelo de comércio não significa que ele seja pirataria. Vale a pena acompanhar as pesquisas de de Ronaldo Lemos e Oona Castro mais especificamente o livro "Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música" licenciado pela Creative Commons que pode ser baixado de graça na internet ou comprado também nas livrarias.

Não foi o mercado da música que reinventou o jeito de consumir música. Foram as tecnologias que a definiram. Foram os dispositivos tecnológicos que absorveram a música e o colocaram num outro jeito dela circular. Haja visto que a Apple com o iTunes hoje é a maior loja de música do mundo que está definindo um jeito de compra e venda. Lawrence Lessig fala de uma economia hibrida que mistura distribuição livre e impresas que financiam desenvolvimento de software livre e comércio.



De novo o fetiche pelo produto e a materialidade do objeto.
Ai o mercado fonográfico, assustadíssimo com a onda digital que coloca a música como dado efêmero e frente ao descontrole das cópias pela internet e as redes p2p faz o que? Ressuscita o vinil com a contestável afirmação de que o som digital é de baixa qualidade que funciona mais como estratégia de marketing. Essa estratégia do vinil restitui a materialidade da música como produto e o sistema de controle da copia para a gravadora. Além disso, se restitui o fetiche pela materialidade do produto contrapondo com a efemeridade do arquivo digital. Aqui no Brasil o Lobão entrou na defesa pelo vinil que iniciou todo um movimento que buscava maior controle do artista com as gravadoras e as cópias vendidas pela gravadoras acabou levantando recentemente a bandeira do vinil. Isso tudo revela mais o sintoma do que resolve a crise.

Música bem comum

A materialidade do produto musical reificado no fonograma no vinil, k7 e CD realmente desvinculam. A música como produto não dá mais para ser pensada. As gravadoras e o que ela representam enquanto exploradoras de um produto que é cópia realmente colocaram a música.

Diante de tantas incertezas alguns imaginam que o mercado musical tende a acabar e que a música tende a perder com isso. Eu particularmente acho o contrário. Nunca se produziu tanta musica como hoje e consequentemente nunca tivemos tanto acesso a ela como hoje. A facilidade que um computador pode cumprir boa parte da produção de um estúdio. De alguma forma, a música se tornou o boi de piranha a ser sacrificado nessa bacia de fluxos binários que á a rede mundial de computadores. Estamos ainda atravessando o rio e não sabemos o que nos espera na outra margem do rio e talves estejamos descobrindo no meio desse Tsuname que pode haver uma terceira margem nesse rio.

Frente ao novo modelo de mercado que se apresenta. enquanto produto cultural, mas existem outros mercados que surgem ao mesmo tempo, como por exemplo os games rockbands. A indústria musical inventou inclusive uma fórmula de lucrar com o que um dia ela possibilitou criar: a possibilidade de criar um postar. O postar se tornou desejo de consumo. Todo adolescente quer ser um John Lenon e viver nesse universo. Os jogos atualmente são a grande sensação com bandas como o Metálica lançando antes seu disco para o Guitar Hero o Death Magnetic foi o primeiro álbum da história da música lançado simultaneamente no formatos tradicionais (CD e vinil) e em game.

Ainda a indústria fonográfica e de entretenimento que passou a jogar com isso e reinventou os programas de calouros na forma de reallity show musical. Vejam os programas Fama, Idolos e outros tantos que aparecem. O produto é a fantasia de ser pop…. Lembrem do caso da Susan Boyle. Se ela conseguiu porque eu não conseguiria?


2-  A indústria da música  tenta se aproximar do internauta e da logica de trocas de conteudos da Web.Dizem os especialistas que os sinais de recuperação da indústria da música estão relacionados à experiência sonora presencial e merecem uma atenção especial de odos os envolvidos. Como você vê esse processo?.

A música sempre foi um fenômeno coletivo da presença e do ritual. A performance musical é um grande ritual de compartilhamento de escuta e consequentemente presencial que preserva aquilo que é da ordem da experiência, do ao vivo, do não mediado, além da mídia. Nesse sentido o livro não tem performance, pode vir a se tornar filme no caso da literatura, sua performance seria o teatro, por isso neste sentido o escritor não tem a mesma situação do músico que pode tocar .

Quando Glenn Gould em 1964 parou de fazer concertos e os Beatles com Sargent Papper 1967 dedicaram mais tempo de sua força de criação a produzir performances bem elaboradas num estúdio, as vezes impossíveis de serem realizadas ao vivo, tal atitude representou um marco para a música no sentido de inverter o papel da performance. O estúdio se tornou o maior instrumento e a música com produto teve um outro lugar, o lucro da cópia. Essa lógica seguiu por muito tempo, até que recentemente as gravadoras voltaram a investir na performance porque o comodite do suporte foi perdido. A industria fonográfica é muito óbvia nesse sentido, e suas estratégias só revelam seu desespero e a agonia de um mercado que não se sustenta mais. Os sinais são claros. Ressurgimento apenas de grandes sucessos, as bandas que mais venderam de repente ressuscitam como em shows e turnês grandiosas. Vendas de bilhetes garantido. É sintomático acompanhar hoje o canal mais instigante no que tange a inteligente forma de articular estética e comportamento, a MTV, representante maior do que seria esse lugar alimentado pelo mercado musical, não tocar mais video clipes inteiros e investindo boa parte de sua programação em humor ou seja performance. Como produto a música se tornou desinteressante e um risco para o empresariado. Realmente é uma crise, que coloca o lugar do mercado da música a ser reinventado e estão todos ai procurando modelos. Mas ainda o modelo segue a lógica da música como produto, seja o comércio pela rede ala iTunes, seja o comércio dos fantasmagóricos ancestrais do Pop em shows caros e no bombardeio midiático dos shows. Talvez a música hoje seja menos um produto e mais um serviço. Mas isso na verdade tem cunhos estruturais maiores que é uma dessas crises que o próprio capitalismo vai sofrendo e reinventando.

A atitude restritiva de licenças como os DRM (Digital Right Managment) que segue a lógica das senhas dos softwears e as punições a alguns consumidores que baixaram música na internet sinalizam um ato desesperado e culpabilizador sobre o fã.

Há um grande esforço hoje por conseguir mapear os nichos de mercado. Todo o modelo hoje está em produzir nichos e conseguir mapeá-los através das redes sociais e de estabelecer uma plataforma de fluxos de dados para oferecer produtos especializados a públicos bem definidos. Efeito calda … Enquanto essa base de bancos de dados se constrói e o mercado se fundamente pelo desejo quase instantâneo na formulação de um produto a ser celebrado na velocidade do desejo o mercado vai testando e experimentando estratégias, tentando e criando bolsões para se proteger do impacto. E investindo em lugares onde a tecnologia consegue preservar um pouco mais os direitos da cópia como no cinema o 3D, Guitar Heros nos games as Rockbands.

Mas quem sabe a música não tenha mais respiro para ser reinventada como ritual.

Para além do mercado musical - um pouco de invenção por favor
Não é só o mercado da música que está em crise mas todo o sistema de que se estrutura nos bens imateriais fundamentados pelos direitos autorais e a propriedade intelectual. Vale pensar que o momento é interessante para propor novas formas de existência para o mercado e a produção de música que não se fundamenta apenas em um sistema de mercantilização da música como produto. Não é só a música ou existência nos interesses de mercado que está em risco é toda uma fundamentação da existência coletiva e de pensamento, de critica e de criação. Depender apenas do mercado para manter a vida existindo é um risco que a cada crise econômica mundial ressurge.

A colonização estatística do futuro materializado pelos bancos de dados digitais alimentados na rede, estão de certa forma congelando a potência de transformação do futuro em função da necessidade por salvar o mercado. O desejo coletivo que circula em fluxos binários pela rede mundial de computadores habitam já o virtual que em breve será celebrado pela sua atualização num novo produto. Essa capacidade de articulação do desejo pelo mercado é um pouco a lógica que surge no horizonte como uma miragem projetada pelo Google. É nesse sentido que o mercado coloniza o futuro e que ao mesmo tempo o esvazia num culto ao imediato. Nesse sentido, a arte, a escrita, o pensamento e tudo o que move a vida para além do imediato estão em jogo. Assim como nossa capacidade cognitiva como a memória, a percepção, o sensível e o pensamento que tendem a se atrofiar em função de sua instrumentalização numa extensão no mundo digital através dos dispositivos eletrônicos. O exercício daquilo que nos é mais belo está sendo instrumentalizado, apropriado e celebrado naquilo que um produto pode oferecer.

Freud escreveu certa vez que só nos unimos quando algo ameaça a vida enquanto espécie. De alguma forma, o cerceamento que a indústria fongráfica praticou e pratica bens imaterias dado pela lógica privatizado do bem comum e os bens imateriais criam estados de estrangulamento existenciais e de esvaziamento da capacidade inventiva, de pensamento e resignificação do mundo. O futuro da música pode estar sim nos caminhos abertos pelos dispositivos tecnológicos que estão desestruturando formas estabelecidas de existência e coletivização, no entanto nada vale toda a potência desestruturante que a tecnologia e a rede possibilitam se nossa maneira de utilizá-la e apropriar-se dela ainda se pauta nos modelos antigos da propriedade e do produto que segrega e não compartilha o bem imaterial que é a música e a potência de vida que ela é capaz atualizar.

É o próprio ato da vida enquanto gestação de formas de existir e habitar o mundo que está posto em questão também. A música nesse aspecto é um desses elementos que está em jogo.

Paradoxalmente, talvez o mercado possa ser reinventado quando pensar menos na música como produto e mais como um bem comum. O produto mudou ou o capitalismo também está mudando? Não existe cultura fora do capital escreveu Deleuze e Guattari, mas a cultura precisa servir só ao capital?

Já que estamos no plano de pensar o impossível vale lançar perguntas em terrenos imaginários. Será que no futuro viveremos como o robozinho Wall-e como arqueólogos do que de humano restou num planeta deteriorado onde a vida não é mais possível colecionando vinis? Seremos salvo pelo que há de vida em um robô?


1 The New Socialism: Global Collectivist Society Is Coming Online http://www.wired.com/culture/culturereviews/magazine/17-06/nep_newsocialism#ixzz16cW30BVL